FORÇA Obstetriz, uma essência da profissão.


Sábado, 26 de março o vão livre do MASP (Museu de Arte de São Paulo) ficou pequeno diante do movimentação de pessoas unidas contra o fechamento do curso de Obstetriz da USP. Mães, pais, bebes, professoras, alunas, ONGs, ativistas a favor do parto Humanizado se juntaram pra apoiar a causa. Muitas mulheres pintaram os seios e saíram em passeata, pela a Av. Paulista, mostrando os peitos pra sensibilizar a população da cidade de São Paulo quanto a necessidade de se formar profissionais que trabalhe a favor do parto normal.

Se a manifestação (dia 22/03) na frente da reitoria foi marcada pela tristeza essa foi marcada pela esperança.

a manifestação foi de corpo e alma

Eu, Bia Fioretti, entrevistei a Flavia Estevan, uma das representantes das alunas nas negociações com a universidade (Flavia, precisamos incluir sua foto aqui):

Só na quinta feira, dia 17 de março, que ficamos sabendo sobre os 2 relatórios apresentados contra o curso de Obstetríz da Each USP, foi então que constatamos que o curso podia realmente fechar, estávamos sentadas lá fora, esperávamos pra conversar com alguns professores e algumas meninas choravam muito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Naquele momento a gente começou a se questionar, Qual seria o sentido de tudo isso? Nós nunca tínhamos discutido porque cada de nós escolheu aquele curso.

Perguntávamos umas as outras: Qual o sentido disso? Quais motivos que trouxeram cada uma de nós para o curso de obstetrícia da USP? A resposta foi unânime, cada uma de nós havia tido um sinal, uma intuição, como se fosse um chamado mesmo, falar sobre esse assunto foi muito forte naquele momento…. a gente sentiu que estávamos aqui por causa de uma missão.

E de um dia pra o outro o curso iria acabar?

Como assim a gente não conseguia entender?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um chamado de vida, é um chamado de vida! As coisas não podiam terminar assim, foi quando a gente se conectou com um propósito maior e um sentimento mais profundo deu animo e força. Eu fui pro laboratório de informática elaborar um abaixo assinado, fizemos as cartas, demos um jeito de conseguir as traduções e nos mobilizamos.

No mesmo momento que víamos que tudo poderia estar pedido nos iniciamos esse movimento, esse sentimento que brotou, que ressurgiu dentro da nós foi essencial.

Todo mundo que esta dentro do curso tem uma história especial e um motivo muito forte para lutar pelo nosso curso de Obstetriz.”

A  intuição  e a motivação pessoal da Flávia Estevan:  “Há alguns anos, eu nem pensava em obstetrícia, uma amiga querida que não conseguia engravidar me  perguntou: “Porque eu não consigo a coisa mais natural do mundo? ” Isso me fez questionar que algo tão natural como conceber, gestar e parir é ao mesmo tempo simples e complexo,  e eu decidi me dedicar a assistência  a saúde da mulheres na sua complexidade para tornar as coisas o mais natural possível.

Toda mulher deveria ter o direito de escolher que tipo de parto está disposta a ter. Esses bebes nasceram pelas mãos de uma obstetriz 

Pra isso eu procurei o caminho formal, institucional, porém entre eu e a obstetrícia tinha a FUVEST (exame do vestibular), pra conseguir esse objetivo entrei num transe e por três meses estudei tudo que eu podia e eu passei no vestibular, isso já foi um sinal.

esses bebes nasceram em casa com uma obsteriz- o bebe da direita tem 25 dias (o momento do nascimento foi tão mágico que ele tinha que participar)

A gente está numa universidade! Ao mesmo tempo que a gente está vinculada com lado acadêmico e científico, estamos conectadas ao lado social, político e também a aquele chamado que nos moveu te aqui. Eu comecei a estudar a me dedicar tanto, que nunca tive dúvida do caminho a ser seguido.

Quando começou essa história foi um desencaixe de informação e nós pensamos: a história não é só essa:  a gente tem a oportunidade de melhorar a assistência a Saúde da Mulher, a gente já está na universidade, pra nós tudo isso é muito forte.

o que nós queremos pras mães do futuro?

Nós, nos sentíamos como as 60 privilegiadas de estarmos aqui na USP, numa universidade pública com toda a oportunidade de estar em contato com todas as inovações científicas que ela pode nos oferecer e que também pensa e trabalha a humanização do nascimento desde o início do curso.

um voz que não pode ser calada!

Estudar e nos preparar para dar a assistência pra as mulheres é isso que move.

É realmente isso que move! Por isso estamos aqui!”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O movimento de resgate da essência do feminino Mães da Pátria, já entrevistou mais de 900 mulheres no mundo ocidental que se dedicam a humanização do nascimento e já concluiu que a alma, o espírito, a vocação de uma verdadeira parteira (no sentido genérico da palavra, seja ela formal ou tradicional) é universal. Eesse comportamento de superação, esse chamado divino, essa real vocação descrita pela Flavia e pelas suas colegas da USP  é uma essência comum entre todas as parteiras que já conheci. Essas alunas tem realmente a alma de parteira, que não se dobram a dificuldade.

É desse tipo de profissional que a nossa sociedade precisa na luta em favor da saúde da mulher.

Todas as mulheres, que se dedicam a Humanização do nascimento, colocam a atenção a outra mulher de maneira incondicional, com conhecimento sobre a fisiologia feminina e a sabedoria de um sacerdócio.

Gerações de obstetrizes estavam lá, representantes, ativistas da humanização do nascimento: do setor academico, ONG, associaciações, FSP USP, ReHuna Parto do Princípio, Anep Brasil, Mães da Pátria*

O barulho na Avenida Paulista foi tão grande que saiu no noticiário da Rede Globo, em horario nobre do SP tv em São Paulo.

Se a Força motriz é a força que move, que produz movimento imagine o que pode fazer uma “Força Obstetriz”? ( rssss)

*Outras alunas que queiram registrar o seu depoimento se sintam a vontade para postar sua motivação no curso de obstetriz

*outras associações e ONG que eu não tenha fotografado me mande o nome pra eu anexar nesse POST

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This entry was published on 27/03/2011 at 14:29. It’s filed under Ativismos, Marchas e Passeatas, parteira and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

14 thoughts on “FORÇA Obstetriz, uma essência da profissão.

  1. Pingback: Ato de hoje no MASP « Espaço dos Estudantes EACH-USP

  2. Hello, my name is Sarah Stewart and I am a midwifery lecturer in Griffith University in Australia. Just a quick note to wish you all the best with your protests 🙂

    I hope you do not mind, but I used a photo from this blog post to talk about your protest on my blog: http://sarah-stewart.blogspot.com/2011/03/protests-by-student-midwives-in-brazil.html

    If you would like me to remove it, please let me know.

    best wishes, Sarah

    Olá, meu nome é Sarah Stewart e eu sou um professor de obstetrícia na Universidade de Griffith, na Austrália. Apenas uma nota rápida para lhe desejar as maiores felicidades com seus protestos:)

    Eu espero que você não se importe, mas eu usei uma foto deste post no blog para falar sobre o seu protesto no meu blog: http://sarah-stewart.blogspot.com/2011/03/protests-by-student-midwives-in -brazil.html

    Se você gostaria de me para removê-lo, por favor me avise.

    melhores cumprimentos, Sarah

  3. Pingback: Leia mais: protesto de alunos de obstetrícia da USP | NEMGE

  4. I recently had a few days in hospital and wondered if the nursing profession was being slowly destroyed. The fracturing of nursing in to compartments instead of a nurse co-ordinating the whole person, was evident. Nourishment essential for recovery was being contracted out to people whose taste buds must have been destroyed. The surgeon claimed that food was NOT “part of his brief”.

    I wonder when I see the “norm” of 1 in 2 births being the result of invasive chemicals and knives. Caesarian rate in Australian private hospitals has peaked at 50%. Is the removal of midwives the intent of obstetricians in Brazil? The recent jailing for 2 years of Agnes Hungary is an early sign as is the recent global witch hunt of professional midwives. I have yet to see a doctor sit with a woman in labour or tend her physical needs post surgery or enable a newborn to breast feed. Who will replace midwives? Those who have vested interests in cows milk conversion factories and pharmaceutical companies are blinded by the $. Be very aware and please NEVER GIVE UP.

  5. Recientemente he tenido unos días en el hospital y se preguntó si la profesión de enfermería se está destruyen lentamente. La fractura de la enfermería en los diferentes compartimentos en lugar de una enfermera de la coordinación de toda la persona, era evidente. Alimento esencial para la recuperación se está contratando a personas cuyas papilas gustativas que han sido destruidos. El cirujano afirma que los alimentos NO era “parte de su breve”.

    Me pregunto cuando veo a la “norma” de 1 de cada 2 nacimientos es el resultado de la invasión de productos químicos y cuchillos. Tasa de cesáreas en hospitales privados de Australia ha alcanzado su pico el 50%. Sustitución de parto normal con abdominales La cirugía también puede reemplazar = parteras con las enfermeras quirúrgicas. Es la eliminación de las parteras la intención de los obstetras en Brasil? El reciente encarcelamiento de dos años de Agnes Gareb en Hungría es una señal temprana como es la caza de brujas reciente mundial de parteras profesionales. Todavía tengo que ver a un doctor se siente con una mujer en trabajo de parto o tienden su cirugía física post necesidades o permitir que un recién nacido de amamantar. ¿Quién reemplazará a la crianza manos de las parteras? Aquellos que tienen intereses creados en las fábricas de transformación de la leche las vacas y las compañías farmacéuticas están cegados por el $. Tener muy en cuenta y por favor NUNCA renunciar a nuestro papel a las fábricas y los cirujanos.

    I recently had a few days in hospital and wondered if the nursing profession was being slowly destroyed. The fracturing of nursing in to compartments instead of a nurse co-ordinating the whole person, was evident. Nourishment essential for recovery was being contracted out to people whose taste buds must have been destroyed. The surgeon claimed that food was NOT “part of his brief”.

    I wonder when I see the “norm” of 1 in 2 births being the result of invasive chemicals and knives. Caesarian rate in Australian private hospitals has peaked at 50%. Replacing normal birth with Abdominal Surgery may also = replacing midwives with surgical nurses. Is the removal of midwives the intent of obstetricians in Brazil? The recent jailing for 2 years of Agnes Gareb in Hungary is an early sign as is the recent global witch hunt of professional midwives. I have yet to see a doctor sit with a woman in labour or tend her physical needs post surgery or enable a newborn to breast feed. Who will replace the nurturing hands of midwives? Those who have vested interests in cows milk conversion factories and pharmaceutical companies are blinded by the $. Be very aware and please NEVER GIVE UP our role to factories and surgeons.

  6. Oi Bia
    Conheci agora seu blog, parabéns por tudo, e especialmente por apoiar com essa reportagem uma causa tão tão importante!
    Publiquei um texto sobre a importância de uma obstetriz em miha vida (tive 2 filhos em casa), e se quiser, pode usar à vontade.
    http://www.giradodelirio.com/?p=1072
    beijos
    Claudia

    • Claudia,
      Eu li seu texto e é muito bom! É importantíssimo publicar um depoimento pra que muitas mulheres se inspirem na graça que você se permitiu passar.

  7. Pingback: A luta das obstetrizes continua « ANEP Brasil

  8. Pingback: Porque obstetriz, ou, O que você tem a ver com isso? « Ser Doula

  9. Pingback: Porque obstetriz, ou, O que você tem a ver com isso? | Intensiterno

  10. Bia, apenas para deixar meu apoio. Sou mais uma das mães que pariu em casa. A experiência foi muito importante para mim e para minha família. Vejo, nas listas, uma busca por profissional humanizado como uma espécie de garimpo ou loteria. Mais de uma vez fiquei entristecida, por ver mulheres que tinham tudo para parir, e terminaram rasgadas por uma mescla de geografia e desconhecimento de partos nas equipes que puderam escolher. Imaginava que a tendência era isso diminuir, lentamente, é verdade. Gosto de pensar que meus netos possam ter um nascimento respeitoso sem precisar de uma luta épica para tal.

    O problema é que encarar que esse curso é essencial e deve ser multiplicado, não extinto, significa assumir que algo no nosso modelo obstétrico está errado. Assumir a necessidade de parteiras é mexer em toda uma estrutura, em todo um modelo tecnnocrata. É aceitar que muitos partos ditos normais são partos desumanos, é admitir que cada vez mais mulheres estão buscando caminhos alternativos para o nascimento, com o objetivo de ter o mínimo: respeito e dignidade no ato de parir. É aceitar que nossos obstetras entendem de exceções, não de partos.

    Boa sorte para vocês, vanguarda desse movimento tão importante e especial para todas nós.

    Meu carinho e meu respeito, hoje e sempre

  11. Pingback: Porque obstetriz, ou, O que você tem a ver com isso? | Rachel da Costa

  12. Pingback: Pelo mundo afora | Mães da Pátria

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