DA TEORIA À PRÁTICA E A TROCA DE EXPERIÊNCIAS



23 e 24 de maio

Capacitação de Parteiras Tradicionais do Amapá:

Cuidando de Quem Recebe a Vida®

Mãos na massa, o  Cacique e parteiro Indígena observa como é a posição de um bebê dentro da bacia

Se em um momento ele compreende como é a fisiologia dentro do corpo da mulher, no outro ele demostra como acomodar o um bebê mal posicionado para o parto.

Enquanto isso no grupo quilombola: “o bebê está entre o pente e o rabinho” nomes populares dos ossos púbicos e cóccix

Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos e tantos outras parteiras dos arredores da cidade aprenderam a medir os meses de gestação com uma fita métrica, demostraram como  praticam o uso do pinar e como identificam a posição do bebê no útero. A modelo foi uma índia wanãpi grávida de 7 meses da sua 12ª filha, que estava transversa no útero.

Outro tema abordado foi como o leite é produzido no seio materno e quais os tipos de bicos do peito, uma parteira demonstrou, uma massagem praticada na sua aldeia quando o bico do peito está invertido

Muita concentração na hora de identificar os sintomas, exames, ervas, remédios. Como as parteiras identificam anemia, infecção na urina, pressão alta. Como elas tratam e quando é necessário encaminhar para o posto, qual o vocabulário que elas usam e como associar os problemas com os recursos existentes em cada região em primeira terapêutica.

O Curso de Reanimação Neonatal, dado pelas professoras Rossiclei Pinheiro, Marynéa Vale e sua equipe, representantes da Sociedade Brasileira de Pediatria, foi dos pontos fortes da semana!  Os grupos eram pequenos (de 10 alunos em cada) e muita prática. Um questionário antes para medir o conhecimento, a dinâmica da aula e outro depois para medir o aprendizado.

 O objetivo dessa prática é a luta pela redução da mortalidade neonatal precoce e foi reconhecida importância do papel da parteiras como uma agente ativa na luta contra o número significativo de famílias que perdem seus bebês com asfixia neonatal. A iniciativa de incluir os equipamentos como o balão auto inflável e o treinamento de como usá-lo faz parte das ações da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde,  que tem como objetivos geral de todas estas oficinas de capacitação a reducão da mortalidade materna e neonatal .

 Um a cada 10 bebês um nasce roxo e precisa de ajuda, as parteiras aprenderam a sequência de procedimentos para fazer um atendimento adequado: massagear os pés, as costas, aspirar o nariz e a boca e por fim inflar os pulmões com delicadeza.

Aperta o balão depois solta e solta novamente!

Aperta, solta, solta! Aperta, solta, solta!  Aperta, solta, solta! Aperta, solta, solta! Aperta, solta, solta!  Esse mantra foi repetido infinitamente em todas as práticas por todas as parteiras e foi traduzido para todas as etnias indígenas.

Aperta, solta, solta!

No último módulo do curso as indias wañapis nos brindaram com uma demostração da técnica utilizada quando um bebê pélvico se apresenta com uma perna só para fora. Elas sempre trabalham em equipe de pelo menos 4 parteiras.

Na semana de Capacitação de Parteiras Tradicionais do Amapá foi abordado os seguintes temas: a fisiologia humana, cuidados com a amamentação, cuidados e exames com recém nascido e a gestante, sintomas de problemas com na gravidez, quando encaminhar para o posto de saúde e muitas outras práticas, direitos civís, procedimentos de registros, preenchimento de guias.

No final das oficinas entrevistei várias parteiras e elas me disseram que o curso de reanimação foi uma grande novidade e que com toda a informação obtida elas estavam ainda mais seguras de partejar, algumas andavam desmotivadas pela falta de espaço e da desvalorização sofrida nos últimos anos e que agora se sentiam valorizadas novamente como há 10 anos atrás

Até o boneco teve direito a um beijinho de parteira no final da atividade.

O Ministério da Saúde, destinou para o programa de capacitação de parteiras tradicionais um Kit às parteiras ativas, centros comunitários e representantes de associações.

A Ivana Drummond, do Ministério da Saúde, disponibilizou o texto de referência de como o MS considera o trabalho com parteiras.

O Ministério da Saúde entende como parteira tradicional aquela que presta assistência ao parto domiciliar na sua comunidade. Em muitos lugares a parteira é conhecida como “aparadeira”, “comadre”, “mãe de umbigo”, “curiosa”, entre outras denominações. Porém, o Ministério da Saúde adota a denominação de parteira tradicional por considerar que esse termo valoriza os saberes e práticas tradicionais e caracteriza a sua formação e o conhecimento que ela detém. Considera, ainda, as parteiras indígena e quilombola como parteiras tradicionais, respeitando a diversidade étnica e cultural (BRASIL, 2009).

 A parteira tradicional adquire suas aptidões realizando partos por conta própria ou após aprender o ofício com outras parteiras, em geral suas mães, avós, sogras e comadres. Geralmente, inicia-se na arte de partejar ainda jovem. A formação, portanto, ocorre na prática, movida pelo desejo de servir, pelo sentimento de solidariedade e pela necessidade imposta num contexto de isolamento, de exclusão e falta de acesso a serviços públicos. O saber popular que as parteiras detêm, relacionado com o processo de cuidar e curar, foi transmitido de geração para geração, e por muitos milênios o trabalho das parteiras foi a única forma de assistência obstétrica. Seu conhecimento, portanto, é ancestral, empírico e intuitivo (BRASIL, 1994; BRASIL, 2009).

® post exclusivo Mães da Pátria. Esse texto ou parte dele não pode ser reproduzido, faça o link para essa página

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This entry was published on 01/06/2011 at 12:35. It’s filed under congressos, Mães da Pátria, parteira, Uncategorized, workshops and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

One thought on “DA TEORIA À PRÁTICA E A TROCA DE EXPERIÊNCIAS

  1. Excelente matéria! Fico muito feliz que iniciativas como essa estejam acontecendo no país. Parabéns!

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