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O rebozo é um xale de algodão feito em tear manual que todas as mulheres mexicanas usam independente da classe social. A palavra vem do verbo ‘rebozar’ que significa encobrir, por isso ele tem um tamanho suficiente para envolver todo o corpo de uma mulher.

Ele é tão incorporado a cultura Mexicana que é retratado na música, pintura em verso e prosa principalmente por Frida Kahlo que sempre se retratava usando os seus rebozos, nos auto-retratos.

Usar um rebozo é mais do que aquecer os ombros ele é também é uma peça de costumes multifuncional,  pode ser amarrado no corpo da mãe pra carregar o bebe ou pra transportar as compras, mas também é muito usado pelas parteiras tradicionais para fazer exercícios de preparo da gestante para o parto, para ajudar o bebe a se posicionar no colo do útero, e para acelerar a recuperação do pós parto.

Naoli Vinaver, parteira mexicana famosa por trabalhar com os valores das tradições aliado aos conhecimentos científicos contemporâneos, ela viaja o mundo todo dando palestras, ensinando muitas práticas e entre elas, o uso do rebozo.

Em algumas maternidades da Europa as profissionais que dominam essa prática para o parto são melhor remuneradas.

 Agnes Kodama, Bruna Alves e Thaís Cursino são 3 estudantes de Obstetrícia da Each Usp, se organizaram em um grupo chamado Sagefemme/Mulheres Sábias e fizeram o primeiro workshop justamente sobre uso do rebozo com a parteira Naoli, em São Paulo no final de janeiro. Estiveram doulas, obstetrizes, enfermeiras e muita gente interessada.

As técnicas ensinadas por Naoli envolvem tradição, intuição, meditação, muito conhecimento prático e leva a gestante a interiorizar a gestação e se sentir segura com uma atenção especial.

O uso do rebozo não é uma manobra de parto invasiva ou agressiva, ela não apresenta riscos pra a mãe e o bebê mas é uma forma de dar uma oportunidade à mãe a acomodar melhor o bebe na bacia ou mesmo ajudar a criança a encaixar melhor a cabeça para o parto.

Durante a gestação a mulher abre todos os seu chacras para facilitar o parto e muitas vezes eles permanecem abertos por algum tempo, por isso depois de algumas semanas que o bebe nasceu pode ser feito um trabalho com o rebozo para fechar os chacras e restabelecer o equilibrio.

Outra proposta que Naoli ensinou foi para acalmar os bebês que ficam muito agitados e não sabem como liberar as energias, o uso do rebozo também pode ajudar de uma forma muito lúdica. O Vinicius, o bebe da foto, adorou! Ele foi dos primeiros bebes a nascer na Casa Angela em São Paulo.

Nos workshops da Naoli não pode faltar uma pintura na barriga da gestante, é pura magia…

e muita alegria também, independente da idade gestacional,

E como sempre tudo termina em festa. As meninas do Sage Famme começaram o grupo com chave de ouro e com muita competência. O evento foi delicioso, literalmente.

O objetivo desse post não ensinar as técnicas de rebozo, porque a técnica para ter resultado tem que ser aprendida e praticada por quem tem muita experiência, mas acho que dá pra ter uma boa idéia de como pode ser aplicado.

 

Imagine São Paulo no final da década de 30, época glamorosa de grandes obras na cidade: Mercado Municipal, USP, edifício Martinelli com seus barões da indústria e do café

agora imagine só moralismo social daquela época que reprovava os divórcios e uma mulher solteira grávida era o maior escândalo.

Era corriqueiro um pai botar a filha na rua porque a garota perdeu a virginidade, porque deram um mal passo e engravidaram e pra onde elas iam com seus filhos sem pai ou de pai desconhecido. Essa situação era uma vergonha social. Muitas mulheres ficavam vagando pela rua, com aquele barrigão enorme e pariam em qualquer lugar.

retirante gravida, Candido Portinari

Um arcebispo, Dom Jose Gaspar, uma madre franciscana chamada Madre Marie Domineuc, um médico professor, Dr. Álvaro Guimarães Filho e algumas respeitadas senhoras da sociedades tomaram uma atitude para tirar aquelas mães de uma situação de humilhação e risco.

A madre Domineuc, uma fiel seguidoras dos preceitos religiosos, levou ao pé da letra o fato de uma mulher não ter pra onde ir e ter que dar a luz ao relento. Eles decidiram dar abrigo a elas levando-as para um deteminado hospital em que o professor dava aula (sem estarem em trabalho de parto), mas aquele lugar era uma maternidade escola e não puderam manter uma área social dentro de uma universidade.

Tomada por impulso esse grupo resolveu alugar umas casinhas em volta do hospital, esperavam em abrigar umas 30 mulheres por ano, em menos de 12 meses forma mais de 400 moças abrigadas em 11 casas.

O ideal prescrito no Evangelho Cristão diz: E não havia lugar para eles na estalagem e por isso Nosso Senhor foi nascer em uma gruta” moveu essas pessoas a resolver um problema de grandes proporções social, fico imaginando o desespero dessas mulheres na solidão em terem dado um “mal passo” com uma gravidez indesejada sem ninguém para abriga-las.

O Amparo Maternal é até hoje única maternidade no Brasil que tem integrado a ele uma casa de Assistência Social à gestante idependente de ser uma gestação de risco. Porém nesse grupo haviam todo tipo de mulheres, as meninas expulsas da família, mulheres muito pobres, umas eram viciadas, prostitutas, ladras e mulheres desintegradas, outras eram imigrantes e aquelas que vinham de outros estados em busca de uma vida melhor…

Elas chegavam envergonhadas, uma ajudava a auto estima da outra, algumas não queriam ficar com os bebes e mudavam de idéia depois. A madre Domineuc e o doutor dedicaram a vida a filosofia de Nunca Recusar Ninguém, mas a situação era muito difícil, chegaram a 125 partos em um dia, os recursos eram poucos as dívidas grandes e muitas mulheres chegavam sem pré natal em situação de grande risco.

O Amparo Maternal passou por muitos problemas, recebia e abrigava mulheres com muitos problemas e acabou sendo envolvido em algumas manchetes sensacionalistas. Nessa época os fundadores já idosos foram substituídos pela irmã Anita que assumiu o Amparo por 34 anos (em 1974). Ela encontrou a situação muito difícil e assim dedicou todo o empenho para evitar que aquelas mulheres não caíssem na prostituição. A motivação foi religiosa mas a disponibilidade e competência da irmã foi passo a passo aperfeiçoando a estrutura e a infra-estrutura da maternidade, que foi profissionalizada, lençóis e leitos novos, aparelhos de ultra som, UTI neo natal foram montados. Atualmente, a maternidade tem 118 leitos: 85 leitos  de Clínica Obstetrícia, 25 leitos de berçário e 8 leitos de UTI Neonatal.

Hoje atende pelo Sistema Único de Saúde – SUS conta com mais de 300 colaboradores e 100 voluntários e atende mais de oito mil partos por ano. Depois da Irmã Anita a Associação Congregação de Santa Catarina assumiu, em 2008, o comando do Amparo Maternal.

Apesar de hoje em dia não ser mais um escândalo ser uma mãe solteira, o Alojamento Social continua abrigando as gestantes que precisam de acolhimento por algum motivos social, são 100 vagas, com direito a atendimento médico, psicológico e assistência social, depois do parto, elas podem ficar por lá, com seus bebes, por 2 ou 3 meses e continuam a receber os cuidados das voluntárias do Amparo. Nesse período as mães também participam de oficinas como informática, música, ginástica, costura, culinária, artesanato

Estive, na semana passada, fotografando o Amparo Maternal e fiquei encantada com a satisfação das mães tanto no atendimento pré-natal quento no puerpério, lá ganhei o livro de uma professora enfermeira
obstétrica, super querida, que me inspirou a fazer esse post.

Qual é o verdadeiro sentido do Natal? O que significa uma Maria perambulando pela cidade em busca de um lugar seguro para parir?

O Amparo Maternal pratica o sentido da palavra Natal, aplica as histórias bíblicas colocando-as em prática, enfrentou os costumes, a falsa moralidade social e contribui de maneira heróica oferecendo abrigo, assistência social  e pré natal para as gestantes e dignidade do nascimento para todas as mulheres independente do estado civil. Aqui não há peregrinação em busca de vagas e é respeitada a lei do acompanhante. O atendimento do SUS é humanizado e o grau de satisfação dessas mães é muito grande.

Presto aqui uma homenagem do Movimento Mães da Pátria pelo  trabalho e determinação e literalmente AMPARO Maternal.

Naoli Vinaver é uma parteira Mexicana conhecidíssima em muitos países, além da grande habilidade na arte de partejar e ela é uma ótima contadora histórias.

O envolvimento dela com a gestante começa no exame pré-natal, cuidadosamente ela apalpa a barriga, analisa a posição do bebê, verifica se ele já virou de cabeça para baixo, se já se encontra em uma posição favorável para o parto, aí ela mostra para a mãe, ao pai e os irmãozinhos como tocar na barriga pra perceber a cabeça, as costas, e as pernas e pés do bebê. Eles mal acreditam no que podem sentir com as mãos, o bebê responde com um movimento, aí é pura festa!

 

É hora ela escuta os batimentos cardíacos bebês, ela explica a todos porque não usa o ”Doppler” (monitor fetal), diz que os bebês não gostam muito da sensação desse aparelho. Em vez disso ela prefere um estetoscópio fetal conhecido como Pinard, muitas parteiras tradicionais do Brasil também usam esse instrumento de madeira, parecido com uma corneta.

Depois de contar as batidas do coraçãozinho é o momento do “ultra”, pra isso ela usa um instrumento mais inusitado ainda, um pincel e começa a desenhar na barriga um esboço de como está o bebê, ela mostra o seu tamanho e a posição.

Ela usa muitas cores, pinta e colore a localização da placenta, mostra o líquido o cordão e a felicidade do bebe. Fica “ultra lindo”, ao invés daquela imagem borrada, como foco estranho oferecido pelo ultrason, Naoli estimula a imaginação da família e poupa o bebe (por mais que digam que o ultrasom é pouco invasivo e que as ondas dele não são de radiação ionizante o seu processo é por emissão de onda com frequências entre 2 e 18MHz sobre o bebe e ele percebe e recebe essas ondas em todos os tecidos.

“Ultra-som” das parteira normalmente é nas pontas dos dedos, no caso de Naoli Vinaver é na ponta dos dedos e na ponta do pincel

Ela faz de cada consulta uma experiência adorável.

A habilidade artística e literária da Naoli já rendeu um livro pra crianças de como nascem os bebes, dá pra imaginar a qualidade desse trabalho? Eu posso não ter tido a oportunidade de um desenho na minha barriga mas tenho o livro autografado.

 Instituto Oca do Sol é uma ONG (sem fins lucrativos) do Planalto Central aberta a membros das mais diversas vocações, aos sensíveis e aos estudiosos do impacto das grandes mudanças atuais.

Pra frenqüentar esse espaço seus membros devem ter um comprometimento pessoal, social ou planetario com o meio ambiente, sob a perspectivas filosóficas, tradicionais ou acadêmicas.

Essa definição pode parecer inusitada, em um primeiro momento, mas é facilmente explicável se considerarmos o perfil de um de seus workshops:

Masaru Emoto, o famoso pesquisador japonês, autor do livro Mensagem da Água, aquele que revelou que pensamentos e sentimentos afetam a realidade física. A maior de suas descobertas são as imagens fotográficas de cristais de água influenciado pelo pensamento e palavras na transformação das suas moléculas.

O Movimento de Resgate da Essência do Feminino Mães da Pátria foi convidado pra fazer uma exposição na Oca do Sol, a abertura da exposição foi com um almoço no dia da Parteira, 5 de maio depois da Marcha das Parteiras.

50 imagens de parteiras latino americanas foram sutilmente espalhadas pelos jardins e pelas hortas organicas da Oca do Sol, as imagens das parteiras dialogavam com os visitantes.

parteiras tradicionais, parteiras certificadas, professoras universitárias, mais de 100 convidados desfrutaram os sabores da Oca

 Todas as mulheres que estão no projeto Mães da Pátria foram fotografadas ao ar livre em um fundo de jardim, porque as parterias estão conectadas com a natureza, todas as exposições que eu participei foram em um ambiente fechado, na Oca do Sol as fotos ficaram ao ar livre, integradas ao campo, só os rostos saltavam do quadro.

Foi uma poesia!

A Oca do Sol também é uma Eco-vila e nos proporcionou o almoço, a salada organica foi de e agricultores da região, mas a lá também tem uma pequena horta organica.

e muitas parteiras de outros estados se encantavam com as ervas, temperos e hortaliças da horta e imploravam uma muda, algumas passeavam pela horta como se estivessem numa vitrine de shopping e discretamente pegavam uma muda. As sementes da horta da Oca do Sol viajaram pelo Brasil nas mãos das parteiras.

Depois da salada uma galinhada especial foi preparada por muitas mãos,

o primeiro desafio foi acender o fogão de lenha, ( veja bem a permissão das Deusas do fogo, não é fotoshop)

Mãos na massa!

O frango já estava preparado, Benedita tratou de apurar a mistura de sabores do arroz e do milho.

Todo mundo se fartou e depois do almoço pôde colocar o assunto em dia, parteira adora uma prosa!

Pra mim era a hora de tirar mais fotos…

muitas parteiras, doulas jornalistas, ativistas estavam presentes, outras foram representadas pelos bebes que ajudaram a chegar nesse mundo é o caso da Laura filha da Rafaela do grupo Ishtar recebida nesse mundo pela Carla Daher e a Rita. As crianças foram o brilho da festa, a pequena Janaina filha da Flavia e os outros bebês aguentaram firme desde a marcha. Sentimos falta das queridas Marieta e da Gigi que não puderam estar conosco nessa festa.

40 semanas de gestação, pro Julio e a Kamilla esse era o lugar mais seguro pra esse bebe estar naquele momento, não seria por falta de parteiras.

A Oca do Sol é o lugar perfeito pra juntar a família, aí está as 3 gerações da Silvéria.

O administrador do Lago Norte (subprefeito de Brasília) apareceu com a equipe pra prestigiar o evento

A Tici que trabalha no Ministério da Saúde, encontrou a Agnes estudante da Each USP que foi de São Paulo direto pra Marcha das PArteiras e para a Exposição na Oca do Sol.

Eu, Bia Fioretti, que me considero chefe da delegação de fotos de parteiras fiquei encantada com aquele diálogo entre parteiras Mayas, Astecas, Zapotecas, Andinas, Amazonense, de todas as partes do Brasil com as parteiras reais do Amapá, do cerrado, da faculdade, a parteira que estudou nos Estados Unidos, parteira de todos os lugares vieram presigiar o evento, foi lindo!

Obrigada a Sol pelo convite de ter aberto a sua Oca

E obrigada a família Terra por ter dado esse chão!

E obrigada a todas que alimentaram o nosso corpo e o espírito!

Na Oca do Sol encontrei um novo grupo de parteiras de Santo Antonio do Descoberto, Goias

® as fotos abaixo só podem ser usadas ou copiadas com prévia autorização

Essa cidade Goiana foi fundada por volta de 1722, às márgens do Rio Descoberto,

desbravada pelos Bandeirantes e teve seu apogeu na época do ciclo do ouro e só foi emancipada em 1982.

Segundo a lenda, escravos acharam uma imagem de Santo Antônio debaixo de um pé de angico e ao lado construíram uma capelinha para abrigar a imagem do santo assim Nasceu Santo Antônio dos Montes Claros.

Outra lenda fala de um caçador  que morava as margens do Rio Descoberto, lavando o bucho de um veado encontrou algumas pepitas de ouro,

examinou  o lugar em volta e encontrou tanto ouro que abriu ali uma escavação e um mineiradora com muitos escravos.

O fato é que Santo Antonio do Descoberto tem um patrimonio humano riquíssimo

tem parteiras em plena atividade

que são mulheres conectadas, sempre dispostas a ajudar o outro

Bem vindas as parteiras de Sto Antônio do Descoberto ao projeto de Resgate da Essência do Feminino Mães da Pátria

ReHuNa – Rede pela Humanização do Parto e Nascimento

É um movimento em forma de rede com pessoas de todo Brasil que pretende diminuir as intervenções desnecessárias e promover um cuidado ao processo de gravidez/ parto/ nascimento/ amamentação baseado na compreensão do processo natural e fisiológico.

Depois de anos instalada no Rio de Janeiro a sede da Rehuna foi para Brasília – endereço: 113 Norte, Bloco C, salas 111 e 112
A inauguração da nova sede não poderia ter sido em um dia mais apropriado, 5 de maio, dia internacional da parteiras.
 Uma festinha muito animada rolou desde a 17:00 h. muitos pessoas foram prestigiar, eu e a Paloma Terra chegamos tarde por causa da Marcha das Parteiras e não pude fotografar todos os amigos que passaram pra dar um abraço, mas trascrevo aqui um depoimento da Daphne Ratner, da Comissão Executiva ReHuNa,
Além de algumas rehunidas, estiveram presentes nos prestigiando parceiros do Ministério da Saúde – da Saúde da mulher, da Política de humanização e um amigo da Secretaria Executiva; da Secretaria de Políticas para as Mulheres; da Secretaria de Saúde do DF; da Secretaria da Mulher do DF; da JICA, do NESP – Núcleo de Estudos sobre Saúde Pública, da UnB, que acolheu a Comissão Organizadora da III Conferência Internacional; da Abenfo-Brasilia; da JICA, nossos sempre parceiros; e algumas pessoas de nossas relações, amigas, da Ciranda de Mulheres, do movimento de parteiras. Ah! E não posso esquecer, estiveram presentes alguns monitores que trabalharam conosco na III Conferencia – sem eles, nem sei se conseguiríamos dar conta da Conferencia, no porte que ela assumiu!”
 
O Alcemir e  a Fernanda viraram patrimonio da sede de Brasilia, estarão lá em tempo integral pra atender todo mundo.
Não conseguimos chegar para os sorteios, que foram disputadíssimos, mas quando chegamos ainda tinha uma música muito animada e muitos quitutes.
Pra quem não pode ir segue alguns detalhes da sala 111 da ReHuNa
As grávidas barrigudas estão espalhadas em todos os lugares
A equipe que montou a III Conferência da ReHuNa está desenvolvendo uma série de projetos novos, vamos aguardar as surpresas, desejamos sucesso pra ReHuNa!
Nos encontramos em Julho, #rumoaocobeon

Um dos grandes milagres da mulher é a capacidade de transformar seu sangue em leite. Quem amamenta desenvolve essa alquimia e adquire o poder mágico de proteger a família e de transformar o mundo. Eu Bia Fioretti ouvi a mesma frase de duas parteiras, Tidu uma parteira tradicional brasileira que nunca saiu da sua vila e Ina May Gaskin uma parteira americana lider do movimento hippie. Essa foi uma das inspirações pra eu criar o Movimento de Resgate da Essência do Feminino, Mães da Pátria.Marina Barão (29 anos) uma mulher mignon, de aparência frágil, antropóloga de formação, pariu 2 filhos, Antonio (2 anos) em uma casa de partos e há 3 meses pariu Francisco, na sua casa, em um parto domiciliar.

Tudo começou quando a Marina não pode alimentar seu bebe publicamente ela foi impedida por uma funcionária, responsável pela segurança do espaço artístico do Itaú Cultural, que levou ao pé da letra uma norma que proíbe a consumação de alimentos no espaço da galeria. Marina indignada, combinou com alguma amigas de retornarem à exposição e amamentarem seus bebes, todas ao mesmo tempo.

 Esse fato deve ocorrer a todo momento na nossa sociedade machista que vê os seios sempre com  erotismo mas esse fato se tornou uma revolução na atitude dessa mãe empoderada e inconformada em não poder execer o direito de amamentar seu filho. Como parir e amamentar pode ser tão poderoso!  Será que se esse bebe tivesse nascido por cesárea programada a mãe teria sido tão determinada? (fica a pergunta). O caso tá na mídia, (aqui vearios links), fotografado e documentado por muitos os veículos de comunicação de massa.

12 de maio, 14:30, mais de 50 mães com seus bebes se reuniram no loby do Itaú Cultural, em São Paulo, pra um Mamaço coletivo, a mídia apareceu em peso, no início do evento mais reporters e fotógrafos do que mães, todos ávidos buscando cada detalhe, em vários closes, dos felizardos bebes sugando o néctar divino.

Por mais sedutor que possa parecer um bebe mamando a maioria dos fotógrafos prestavam mais atenção aos bebes do que nas suas dedicadas mães.

Amamentar vai além de um par de peitos, amamentação vem do esforço, da dedicação, da perseverança, do respeito de uma mãe. Exercer a maternidade é um outro parto, muitas vezes sem orientação adequada a mãe sofre muito e precisa de muita superação e força de vontade pra continuar a amamentar. O bebe nasce sabendo mas a mãe acaba tendo muitas barreiras ao longo da vida nessa questão que se tornam difíceis. Quantas vezes ouvimos de uma amiga que ela não teve leite, será que ela não foi orientada adequadamente, não encontraram ONGs como as Amigas do Peito. Noah, 3 meses (da foto acima) nasceu prematuro e o seu peso e tempo recuperado foi por causa da dedicação e carinho da sua mãe Paula. Quando a mãe amamenta, ela se empodera tanto que pode superar e curar qualquer trauma que tenha havido no parto. Por isso a amamentação vai além da nutrição física ela é curativa.

Uma grande importância desse ato público também esta na força do Cyber ativismos, como as redes sociais podem ser mobilizadoras!

A história tomou corpo no Facebook, Ana Cris, parteira de São Paulo, soube do ocorrido e levantou a bandeira, movimentou a sua rede e a reação em cadeia tomou corpo, foi o assunto da semana. Além disso a jornalista Kalu Brum, 31, teve sua foto amamentando “censurada” também Facebook. O movimento de algumas como mães como De Filhote pra Filhote passou a ser de todos.

O Itaú Cultural se desculpou, entrou em contato com algumas mulherese se retratou.

Quando soube que haveria uma manifestação na porta do Centro Cultural convidou a todos para ocupar as instalações do espaço e promoveu uma série de perforamances.

O fio de um novelo laçou todas as mães numa teia de poesia e homenagens pela Fafi.

A festa ainda não tinha acabado, os reporters alimentados de imágens poéticas (ouvi de um deles “que pauta legal!”) foram embora e todas as mães com seus filhotes se acomodaram no anfiteatro.

A Kiara Terra deu um show de histórias, num momento muito intimista, com um texto voltado pras rotinas e conflitos de mães e mulheres, risos e reflexões.

Depois do teatro um lanchinho básico, afinal passar o dia amamentando dá uma fome de leão. Mamães e bebes bem nutridos e acomodados desfilavam seus Slings, brinquei que era o “Fashion Sling”

No final da tarde encontrei o Eduardo Saron, o nosso anfitrião, diretor do Itaú Cultural, sentado na entrada do espaço cultural ainda muito emocionado com a energia do evento, ele também é pai de um bebe de 8 meses e se envolveu pessoalmente em reparar o acontecido,

ele nos confidenciou que o incidente gerou uma série de mudanças de atitudes em vários níveis dentro da empresa com uma política de repensar valores e políticas de humanização. Maravilha! O Itaú cultural irá oferecer o seu espaço como amigo da amamentação a todas as mulheres que precisaram de um lugar seguro, tranquilo e respeitoso nas imediações da Av Paulista.

Martin encantou a mãe, Maria Luiza ao bater palmas enquanto mamava

Parabéns a Marina pela iniciativa, ao Eduardo que fez do limão uma limonada, a Ana Cris, as blogueiras, ativistas e todas mães super poderosas que brindaram o evento com leite materno.

Oxalá outras instituições se inspirem pra fazer o mesmo! Viva o leite materno!

 Dia 5 de maio de 1991 foi decretado pela organização Mundial de Saúde 

O Dia Internacional da Parteira

Parteiras, doulas, mães, pais, ativistas saíram de casa em vários lugares do Brasil, na última quinta-feira para homenagear o parto humanizado e estão representadas pelas meninas que coloriram os cartazes das marchas das 7 cidades e vão mostrar aqui essa festa pelo Brasil

As Marchas além de comemorarem o dia da parteira também marcaram o primeiro passo RUMO AO VII COBEON -

Belo Horizonte – M.G.

A comemoração em B.H. foi no Hospital Sofia Feldman e despertou até a atenção da mídia do Hoje em Dia e outros jornais falaram do tema parto normal X cesariana.

São Paulo – Capital

As obstetrizes da Each USP fizeram um dia inteiro de atividades na faculdade com workshops e palestras.

No final do dia a Marcha das Parteiras reuniu mais de 100 pessoas que fizeram o maior barulho e abraçaram o prédio da faculdade, quem relatou foi a Nadia Zanon Narchi que nos mandou as fotos e #rumoaocobeon.

Marcha em Cananéia – São Paulo 

A Bianca Lanau nos contou que em Cananéia a Marcha começou de bike e todos chegaram pedalando pra uma roda de conversa.

A parteira tradicional Cleusa dos Reis entrou na roda numa prosa sobre o nascimento, práticas, uso de ervas e cuidados com a gestante, depois todos viram os filmes “Dia de Nascimento” e “O mundo Nasce no Ritmo do Coração”, ambos de Naoli Vinaver. O Leandro Cagiano registrou o encontro.

Em Cananéia também fizeram uma exposição de fotos da rede Parto do Princípio com 19 imagens de mulheres após o parto e seu contato com o bebe. #rumoaocobeon

Sorocaba – São Paulo

A Gisele Leal  tem um blog que se chama Mulheres Empoderadas e organizou um Marcha de Parteiras em Sorocaba que deu o que falar…

Além de movimentar a cidade elas movimentaram a mídia, saiu uma matérias no SBT e no jornal da cidade também, quem saíu ganhando foram as mulheres de lá que conquistaram o maior espaço pra discutir o tema e #rumoaocobeon

Brasília – DF

A parteira Paloma Terra foi a mentora da campanha da Marcha das Parteiras de Brasília foi ela quem  propôs de fazermos um cartaz e depois estendemos essa idéia pelo Brasil.

A Marcha durou a manhã toda, desceu a Esplanada dos Ministérios e foi até a Praça dos 3 poderes.

Teve muita repercussão também, além das parteira tradicionais e parteiras certificadas, muitas ONG, políticos e ativistas na marcha.

Mais de 300 pessoas participaram da marcha mas ela foi vista por uma mídia muito grande, segue a matéria do Correio Brasiliense

Caruaru – Pernambuco

A Marcha de Caruaru no marco Zero da cidade é tradicional, há anos a Associação de Parteiras organiza um grande encontro, esse ano bateu recorde mais de 1000 pessoas participaram.

A notícia foi amplamente divulgada e documentada. o Globo Rural prestigiou novamente as parteiras, locais, outros jornais como +ab, Abtv, plenário e sites de Sergipe também, confira aqui

Marcha em São Cristobal de las Casas

 Brasilia 5 de maio de 2011 – 8:30 da manhã

I Concentração – Aquecimento

O ponto de encontro foi na Esplanada dos Ministérios, na frente do Ministério da Saúde

Delegações de parteiras de várias cidades chegavam a todo momento!

Mães e pais com seus bebes nascidos com parteiras também chegavam sem parar.


O Grupo Mangaba Troupe veio prestigiar a Marcha da Parteiras

A deputada Janete Capiberibe, (que defende  projeto de lei pelo reconhecimento profissional das parteiras tradicionais) facilitou a vinda de 14 parteiras tradicionais do Amapá.  A Regina, o Sisan a Isabel que apoiam a causa das parteiras também marcaram presença.

Encontrei várias parteiras queridas que já tinham sido entrevistadas pelo Projeto Mães da Pátria, até a parteira do Oiapoque estava presente.

Cartazes, faixas, camisetas, todo mundo uniformizado e agradecidos a Fundação Procurador Pedro Jorge que acreditou na Marcha

Quem disse que é fácil organizar uma Marcha em Brasília? Quando cheguei na cidade a Paloma Terra, a parteira idealizadora da Marcha em Brasília estava correndo de um lado para outro com documentos de permissão para o evento, até o IPHAN teve que permitir. Em contra partida batedores da policia, de motocicleta, foram disponibilizados para nos acompanhar. Eles também ficaram emocionados, um deles nos disse que seu filho também nascera de parteira

II A Marcha das Parteiras -

A festa do nascimento no Congresso Nacional

Saímos do Ministério depois das 10:00, duas faixas da avenida da Esplanada ficaram interditadas até a Praça dos 3 Poderes ,

a alegria contagiou quando os tambores começaram a marcar ritmos da nossa “terra brasilis” puxados pelo grupo de parteiras e a turma de Pirinópolis liderado pela Daraína que cantou e encantou todo mundo.

Parteiras Certificadas, Parteiras  Profissionais, Parteiras da UNB,  Parteiras Tradicionais,

doulas, mães, pais, bebes, o grupo de gestantes e paridas do HUB

a Rehuna,  Anep, Mães da Pátria, Ishtar, ongs, associações, ativistas, simpatisantes

todo mundo em festa no caminho pela humanização do parto e nascimento.

Pra mim, Bia Fioretti, foi especialmente emocionante essa passagem pela lateral do Congresso, há 4 anos levei 180 fotografias de parteiras do Basil na exposição Mães da Pátria, pra dentro do Congresso Nacional

e hoje estávamos ao vivo do lado de fora com uma comitiva de mais de 300 pessoas.

III A Chegada na Praça dos 3 Poderes – a Apoteose

Nesse momento a Sonia Terra observou uma sincronia incrível enquanto as parteiras chegavam à praça pelo lado direito da praça, o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (1º RCG), oficialmente denominado como Dragões da Independência, entravam pelo lado esquerdo.

A presidente Dilma foi para a porta do Palácio do Planalto para receber o presidente alemão em visita oficial,  que chegava no mesmo instante, enquanto esperava ela certamente podia ver de longe a movimentação das parteiras, sentir a festa e nossa energia.

Se de um lado o som era fanfarra de marcha militar do outro lado o som era de uma farra de parteiras, com músicas folclóricas, ciranda brasileira e uma revoada de pombos.

A Paloma fechou a roda, prestou homenagens, agradeceu a todas as comitivas.

 e cantamos parabéns a você nessa data querida.

 Explicou o que será o VII Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal e convidou a todas a nós a terminarmos essa marcha, em julho, em Belo Horizonte na frente do Cobeon, nesse momento soltamos os balões brancos e gritamos:

A partir daí foi uma festa só

e todos celebraram!

(A Silvéria das mais animadas, ficou com o cartaz na mão a marcha toda)

 de forma contagiante

mesmo com a fanfarra da infantaria ao fundo

e cada um ao seu modo

brindou com emoção ou leite materno

O final da marcha foi ao som de 3 lances dos canhões (para o presidente alemão) como uma explosão de ruídos de um parto (veja bem, um canhão não parece com o período expulsivo de um parto?) e muitas palmas.

No próximo POST desse Blog a festa continua com o almoço para as parteiras pelo do Dia da Parteira promovidos pela Ong Oca do Sol

Belo Horizonte aderiu a Marcha das Parteiras, o encontro será na frente do Hospital Sofia Feldman às 17:00h.


A Marcha Internacional das Parteiras iniciou com uma proposta do  American College of Nurse Midwife, uma associação de parteiras norte-americana, rumo ao 29th Triennial Congress of the International Confederation of Midwives (ICM), em Durban, África do Sul.

Nós, no Brasil, teremos um congresso importantíssimo em Belo Horizonte, nos dias 6, 7 e 8 de julho de 2011, o VII Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal – VII COBEON promovida pela Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras – ABENFO Nacional em parceria com a ABENFO-MG, com a participação estimada de 1.200 a 1500 congressistas ( as inscrições ainda estão abertas e o congresso é imperdível)

Então decidimos que a Marcha das Parteiras  do Brasil será o primeiro passo rumo a Belo Horizonte, ao Cobeon, o nosso congresso. As outras marchas, de Brasília, São Paulo, Cananéia também integrarão o início desse grande encontro.

Dia 5 de maio, dia internacional da parteiras, sugerimos a todas as mulheres simpatizantes a causa da Humanização do Nascimento iniciar a marcha das parteiras a partir da porta de sua casa, integrar a caminhada da sua cidade e convidar a todas a nos encontrar em Julho no Cobeon. 

Vamos lá, mesmo que vc não integre a marcha dedique esse dia a causa da humanização e saia de casa com essa intenção!

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